TDA - Transtornos de Deficit de Atenção
TRANSTORNO
DO DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE
O Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome caracterizada por desatenção,
hiperatividade e impulsividade causando prejuízos a si mesmo e aos outros em
pelo menos dois contextos diferentes (geralmente em casa e na escola/trabalho).
Entre 3% e 6% das crianças em fase escolar foram diagnosticadas com este
transtorno. Entre 30 a 50% dos casos persistem até a idade adulta. Sua causa, o
diagnóstico, sua utilização para justificar mal desempenho acadêmico e o grande
número de tratamentos desnecessários com anfetaminas geram polêmica desde a década de
70. Na Classificação
Internacional de Doenças da OMS
mais recente (CID-10) é classificado como um Transtorno Hipercinético.
CARACTERÍSTICAS
A impulsividade e inquietude aumentam as chances de
acidentes, lesões, brigas e uso de drogas.
O transtorno se caracteriza por frequente
comportamento de desatenção, inquietude e impulsividade, em pelo menos três
contextos diferentes (casa, creche, escola, ...). O Dicionário de Saúde Mental
atual (DSM IV) subdivide o TDAH em três tipos:
·
TDAH com
predomínio de sintomas de desatenção;
·
TDAH com
predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade e;
·
TDAH
combinado.
Em inglês, também é chamado de ADHD, as iniciais de
Attention Deficit/Hyperactivity Disorder.
Na década de 1980, a partir de novas investigações,
passou-se a ressaltar aspectos cognitivos da definição de síndrome,
principalmente o déficit de atenção e a impulsividade ou falta de controle,
considerando-se, além disso, que a atividade motora excessiva é resultado do
alcance reduzido da atenção da criança e da mudança contínua de objetivos e
metas a que é submetida. É um transtorno reconhecido pela OMS (Organização
Mundial da Saúde), tendo inclusive em muitos países, lei de proteção,
assistência e ajuda tanto aos que têm este transtorno ou distúrbios quanto aos
seus familiares. Há muita controvérsia sobre o assunto. Há especialistas que
defendem o uso de medicamentos e outros que acham que o indivíduo deve aprender
a lidar com ele sem a utilização de medicamentos.
Segundo a OMS e a Associação Psiquiátrica
Americana, o TDAH é um transtorno psiquiátrico que tem como características
básicas a desatenção, a agitação (hiperatividade) e a impulsividade, podendo
levar a dificuldades emocionais, de relacionamento, bem como a baixo desempenho
escolar e outros problemas de saúde mental. Embora a criança hiperativa tenha
muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é
caracterizado por problemas de aprendizado e comportamento. Os professores e
pais da criança hiperativa devem saber lidar com a falta de atenção,
impulsividade, instabilidade emocional e hiperativa incontrolável da criança.
A criança com Déficit de Atenção muitas vezes se
sente isolada e segregada dos colegas, mas não entende por que é tão diferente.
Fica perturbada com suas próprias incapacidades. Sem conseguir concluir as
tarefas normais de uma criança na escola, no playground ou em casa, a criança
hiperativa pode sofrer de estresse, tristeza e baixa auto-estima.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS (CID-10
F90)
Para se diagnosticar um caso de TDAH é necessário
que o indivíduo em questão apresente pelo menos seis
dos sintomas de desatenção e/ou seis dos sintomas de hiperatividade;
além disso os sintomas devem manifestar-se em pelo menos dois ambientes
diferentes e por um período superior a seis meses.
COM PREDOMÍNIO DE DESATENÇÃO
Caso seis (ou mais) dos seguintes sintomas de
desatenção persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal adaptativo e
inconsistente com o nível de desenvolvimento:
- Frequentemente deixa de
prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades
escolares, de trabalho ou outras
- Com frequência tem
dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas
- Com frequência parece não
escutar quando lhe dirigem a palavra
- Com frequência não segue
instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou
deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou
incapacidade de compreender instruções)
- Com frequência tem
dificuldade para organizar tarefas e atividades
- Com frequência evita,
antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental
constante (como tarefas escolares ou deveres de casa)
- Com frequência perde coisas
necessárias para tarefas ou atividades (por ex., brinquedos, tarefas
escolares, lápis, livros ou outros materiais)
- É facilmente distraído por
estímulos alheios à tarefa
- Com frequência apresenta
esquecimento em atividades diárias
COM PREDOMÍNIO DE HIPERATIVIDADE
E IMPULSIVIDADE
Caso seis (ou mais) dos seguintes sintomas de
hiperatividade persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal adaptativo e
inconsistente com o nível de desenvolvimento:
·
Hiperatividade
- Frequentemente agita as mãos
ou os pés
- Frequentemente abandona sua
cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que
permaneça sentado
- Frequentemente corre ou
escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em
adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de
inquietação)
- Com frequência tem
dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de
lazer
- Está frequentemente "a
mil" ou muitas vezes age como se estivesse "a todo vapor"
- Frequentemente fala em
demasia
·
Impulsividade
- Frequentemente dá respostas
precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas
- Com frequência tem
dificuldade para aguardar sua vez
- Frequentemente interrompe ou
se mete em assuntos de outros (por ex., intromete-se em conversas ou
brincadeiras)
CRITÉRIOS PARA AMBOS
Em ambos os casos esses critérios também devem
estar presentes:
Os sintomas de desatenção, hiperatividade ou
impulsividade relacionados ao uso de medicamentos (como broncodilatadores, isoniazida e acatisia por neurolépticos)
em crianças com menos de 7 anos de idade não devem ser diagnosticados como
TDAH.
Pessoas com TDAH tem problemas para fixar sua
atenção em coisas por mais tempo do que outras, interessantemente, crianças com
TDAH não tem problemas para filtrar informações. Elas parecem prestar atenção
aos mesmos temas que as crianças que não apresentam o TDAH prestariam. Crianças
com TDAH se sentem chateadas ou perdem o interesse por seu trabalho mais
rapidamente que outras crianças, parecem atraídas pelos aspectos mais
recompensadores, divertidos e reforçativos em qualquer situação, essas crianças
também tendem a optar por fazer pequenos trabalhos no presente momento em troca
de uma recompensa menor, embora mais imediata, ao invés de trabalhar mais por
uma recompensa maior disponível apenas adiante. Na realidade, reduzir a
estimulação torna ainda mais difícil para uma criança com TDAH manter a
atenção. Apresentam também dificuldades em controlar impulsos. Os problemas de
atenção e de controle de impulsos também se manifestam nos atalhos que essas
crianças utilizam, em seu trabalho. Elas aplicam menor quantidade de esforços e
despendem menor quantidade de tempo para realizar tarefas desagradáveis e enfadonhas.
OS DOIS LADOS DE UMA SÍNDROME
Diferenciais
- Têm muitos talentos
criativos, que geralmente não aparecem até que o TDAH seja tratado.
- Demonstram ter pensamento
original, "fora da caixa".
- Tendem a adotar um jeito
diferente de encarar a própria vida. Costumam ser imprevisíveis na maneira
como abordam diferentes assuntos.
- Persistência e resiliência
são suas características marcantes - mas, cuidado, às vezes podem parecer
cabeças-duras.
- São geralmente muito
afetivos e de comportamento generoso.
- São altamente intuitivos.
- Com frequência, demonstram
ter uma inteligência acima da média.
Problemas
- Grande dificuldade para
transformar suas grandes ideias em ação verdadeira.
- Problemas para se fazer
entender ou explicar seus pontos de vista.
- Falta crônica de iniciativa.
- Humor volúvel, da raiva para
a tristeza rapidamente.
- Pouca ou nenhuma tolerância
à frustração.
- Problemas com organização e
gerenciamento do tempo.
- Necessidade incessante de
adrenalina. Inconscientemente, podem provocar conflitos apenas para
satisfazer essa necessidade de estímulo.
- Tendência ao isolamento e à
solidão.
- Raramente conseguem aprender
com os próprios erros.
CAUSAS
A imagem da direita ilustra áreas de atividade
cerebral de uma pessoa sem TDAH e a imagem da esquerda de uma pessoa com TDAH.
Os principais fatores identificados como causa são
uma suscetibilidade genética em interação direta com fatores ambientais. A
herdabilidade estimada é bastante alta, pois 70% dos gêmeos idênticos de TDAH
também possuem o mesmo diagnóstico. Quando um dos pais tem TDAH a chance dos
filhos terem é o dobro, aumentando para oito vezes quando se trata de ambos pais.
Problemas na gravidez estão associados com maior
incidência de casos mesmo quando desconsiderados outros fatores como
psicopatologias dos pais.
Pesquisas também têm apresentado como possíveis
causas de TDAH: problemas durante a gravidez ou no parto e exposição a
determinadas substâncias (chumbo). Dentre as complicações associadas estão
toxemia, eclampsia, pós-maturidade fetal, duração do parto, estresse fetal,
baixo peso ao nascer, hemorragia pré-parto, consumo de tabaco e/ou álcool
durante a gravidez e má saúde materna. Outros fatores, como danos cerebrais
perinatais no lobo frontal, podem afetar processos de atenção, motivação e
planejamento, relacionando-se indiretamente com a doença.
Problemas familiares propiciam o aparecimento
predisposto geneticamente, como uma família com muitos filhos, alto grau de
brigas entre os pais, baixa instrução educacional, famílias com baixo nível socioeconômico,
criminalidade dos pais, colocação em lar adotivo ou/e pais com transtornos
psiquiátricos. Tais problemas não originam tais distúrbios mas os amplificam na
sua existência. Um dos possíveis motivos é que a negligencia dos pais leva as
crianças a precisarem se comportar inadequadamente para conseguir atenção.
Pesquisas apontam para a influência de genes que
codificam componentes dos sistemas dopaminérgico, noradrenérgico, adrenérgico
e, mais recentemente, serotoninérgico como os principais responsáveis.
Famílias caracterizadas por alto grau de
agressividade nas interações, podem contribuir então para o aparecimento desses
comportamentos agressivos ou de uma oposição desafiante nas crianças perante a
sociedade. Problemas de ansiedade, baixa tolerância à frustração, depressão,
abuso de substâncias e transtornos opositivos são morbidades frequentes.
FASES DA
VIDA
História
clássica de TDAH
Fase
|
Sintomas comuns
|
Bebê
|
Bebê
difícil, insaciável, irritado, de difícil consolo, maior prevalência de
cólicas, dificuldade para alimentar e problemas de sono.
|
Pré-escolar
|
Muito
inquieto e agitado, dificuldades de ajustamento, desobediente, facilmente
irritado e extremamente difícil de satisfazer.
|
Escola
elementar
|
Incapacidade
de se concentrar, distrações muito frequentes, muito impulsivo, grandes
variações de desempenho na escola, se envolve em brigas, presença ou não de
hiperatividade.
|
Adolescência
|
Muito
inquieto, desempenho inconsistente, sem conseguir se focalizar, problemas
para memorizar, abuso de substância, acidentes, impulsividade, muita
dificuldade de pensar e se planejar a longo prazo.
|
Adulto
|
Muito
inquieto, comete muitos erros em atividades que exigem concentração,
desorganizado, inconstante, desastrado, impaciente, não cumpre compromissos,
perde prazos, se distrai facilmente, não fica parado, toma decisões
precipitadas, dificuldade para manter relacionamentos e perde o interesse
rapidamente. (Para o diagnóstico em adultos, o TDAH deve ter começado na
infância e causado prejuízos ao longo da vida)
|
QUEM PODE
DIAGNOSTICAR TDAH
O diagnóstico de TDAH é fundamentalmente clínico,
realizado por profissional que conheça profundamente o assunto, que
necessariamente deve descartar outras doenças e transtornos, para então indicar
o melhor tratamento. O termo hiperatividade
tem sido popularizado e muitas crianças rotuladas erroneamente. É
preciso cuidado ao se caracterizar uma criança como portadora de TDAH. Somente
um médico (preferencialmente psiquiatra), juntamente com psicólogo ou terapeuta
ocupacional especializados, podem confirmar a suspeita de outros profissionais
de áreas afins, como fonoaudiólogos, educadores ou psicopedagogos, que devem encaminhar
a criança para o devido diagnóstico. Existem testes e questionários que
auxiliam o diagnóstico clínico. Hoje já se sabe que a área do cérebro envolvida nesse processo é a região
orbital frontal (parte da frente do cérebro) responsável pela inibição do comportamento, pela atenção
sustentada, pelo autocontrole e pelo planejamento para o futuro.
Entretanto, é importante frisar que o cérebro deve ser visto como um órgão
cujas partes apresentam grande interligação, fazendo com que outras áreas que
possuam conexão com a região frontal possam não estar funcionando
adequadamente, levando aos sintomas semelhantes aos de TDAH. Os neurotransmissores
que parecem estar deficitários em quantidade ou funcionamento, em indivíduos
com TDAH, são basicamente a dopamina e a noradrenalina, que precisam ser estimuladas
através de medicações.
Algumas pessoas precisam tomar estimulantes como
forma de amenizar os sintomas de déficit de
atenção/hiperatividade, entretanto nem todas respondem positivamente ao
tratamento. É importante que seja avaliada criteriosamente a utilização de
medicamentos em função dos efeitos colaterais
que os mesmos possuem. Em alguns casos, não apresentam nenhuma melhora
significativa, não se justificando o uso dos mesmos. A duração da administração
de um medicamento também é decorrente das respostas dadas ao uso e de cada caso
em si.
TRATAMENTO
O tratamento baseia-se em medicação e
acompanhamento especializado, com apoio psicológico, fonoaudiólogo, terapeuta
ocupacional ou psicopedagógico.
É importante que seja avaliada criteriosamente a
utilização de medicamentos em função dos efeitos colaterais que os mesmos
possuem. Mais de 80% dos portadores de TDAH beneficiam-se com o uso de
medicamentos[7], como o cloridrato de metilfenidato (Ritalina ou Concerta em
sua versão comercial), bupropiona, clonidina e antidepressivos tricíclicos como
a imipramina. Recentemente no Brasil a lisdexanfetamina foi aprovada para tratamento
do TDAH na infância. A duração da administração de um medicamento dependerá das
respostas ao tratamento e do curso do transtorno, ou seja, depende de cada caso
em si. Cerca de 70% dos pacientes respondem adequadamente ao metilfenidato e o
toleram bem. Como a meia-vida do metilfenidato é curta, geralmente utiliza-se o
esquema de duas doses por dia, uma de manhã e outra ao meio dia. A
disponibilidade de preparados de ação prolongada tem possibilitado maior
comodidade aos pacientes.
Para evitar que ele se distraia, é recomendado que
a pessoa com TDAH tenha um ambiente silencioso e sem distrações para
estudar/trabalhar. Na escola ele pode se concentrar melhor na aula sentando na
primeira fileira e longe da janela. Aulas de apoio onde ele recebe atenção
melhor focalizada podem ajudar a melhorar seu desempenho. É importante que os
pais e professores se focalizem em recompensar onde seu desempenho é bom,
valorizando suas qualidades, mais do que punir seus erros. E nunca a punição
deve ser violenta, pois isso torna a criança mais agressiva e leva ela a evitar
e guardar rancor, medo, raiva da pessoa que a puniu (além de não ser eficaz em
impedir um comportamento quando o agente punidor não estiver presente). Isso
vale para qualquer pessoa de qualquer idade mesmo sem hiperatividade.
Famílias caracterizadas por alto grau de
agressividade e impulsividade nas interações, podem contribuir para o
aparecimento de comportamento agressivo, impulsivo ou de uma oposição
desafiante nas crianças em diversos contextos. Nesse e em outros casos em que a
família tem importante papel nos transtornos infantis não basta medicar a
criança, é necessário que OS PAIS façam psicoterapia junto com a
criança/adolescente. O TDAH pode ser um importante problema no adulto. O
tratamento do TDAH no adulto deve ser realizado após correto diagnóstico.
COMORBIDADES
Dos hiperativos que buscam tratamento
especializado, mais de 70% possuem também algum outro transtorno, na maioria
das vezes com transtorno de humor (como depressão maior ou transtorno bipolar),
transtorno de aprendizagem, transtornos de ansiedade ou transtorno de conduta.
Dependendo da comorbidade o tratamento medicamentoso muda e o acompanhamento
psicológico se torna ainda mais necessário.
A taxa de comorbidade com transtornos disruptivos
do comportamento (transtorno de conduta e transtorno opositor desafiante)está
situada entre 30% a 50%, com depressão está entre 15% a 20%, com transtornos de
ansiedade em torno de 25% e com transtornos da aprendizagem entre 10% a 25%.
RESUMO
Em resumo, pessoas com TDAH têm problemas para
fixar sua atenção em coisas por mais tempo que outras. Elas lutam, às vezes com
tenacidade, para manter sua atenção em atividades mais longas que as usuais,
especialmente aquelas mais maçantes, repetitivas e tediosas. Tarefas escolares
desinteressantes, atividades domésticas extensas e palestras longas são
problemáticas, assim, como leituras extensas, trabalhos desinteressantes,
prestar atenção a explicações sobre assuntos desinteressantes e finalizar
projetos extensos.
Fonte do
estudo: winkipédia